Dossiê “Esse lugar, que não é meu?”

Deadline: March 30, 2022

Editores: Fabíola Fonseca (Universidade federal do Ceará/ bolsista Funcap), Adriana Assumpção (Universidade Estácio de Sá e Faculdade Unyleya) e Antonio Carlos Amorim (Universidade Estadual de Campinas – Unicamp).

Os artigos, ensaios, resenhas e produções artísticas e culturais devem ser adequados às normas para publicação e enviados à Comissão Editorial até o dia 30 de março de 2022 por meio eletrônico para climacom@unicamp.br. O dossiê será publicado a partir de abril de 2022.

“A urgência das mudanças climáticas tem produzido necessidades que não nos deixam outras possibilidades a não ser re-imaginar as formas como nossas relações têm sido agenciadas. O aumento dos desastres naturais e eventos extremos, como inundações, secas, fortes ondas de calor, tem trazido implicações sobretudo para as populações mais vulneráveis. Como consequência, estamos vendo o aumento das desigualdades sociais, da pobreza, a escassez de água potável, a falta de acesso aos recursos naturais e a de um movimento migratório de pessoas que têm sido chamadas de refugiados climáticos.

Aos refugiados climáticos, deslocar já não é mais uma escolha e, sim, uma imposição; a busca por um lugar que parece nunca ser de permanência; sair quando se desejava ficar, permanecer, continuar, sobreviver. Deslocam-se junto com esses trânsitos; suas subjetividades, suas tradições e suas formas de estar no mundo ganham novos contornos nos quais a sobrevivência se conecta ao verbo abandonar em diferentes circunstâncias. Encarando essa movente paisagem que as mudanças climáticas têm agenciado, emerge a necessidade de criar outras formas de ler e enfrentar tais conflitos.

Aos olhos do outro, esse refugiado é aquele que não possui raízes no grupo social e não pertence ao lugar, mas veio e ficou; não está de passagem apenas, como nos diz Simmel. O fotógrafo Peter Caton fez registros dos moradores de Surdabans na Índia que sofrem com as constantes inundações causadas pelas consequências das mudanças climáticas. Seus medos e anseios das águas contaminadas, da falta de possibilidade de produção de alimentos, do sumiço dos peixes porque a água tornou-se salobra, da sobrevivência de suas famílias que passam a depender de doações. Em um cenário permeado de incertezas, os refugiados climáticos aparecem como a intrusão de Gaia, como Isabelle Stengers nomeia. A filósofa coloca em relevo, sobretudo, a forma como nossas relações têm sido agenciadas diante dessa intrusão. Nos conjugamos a ela e também à Donna Haraway quando questiona nossas existências em um mundo cada vez com mais refugiados e menos refúgios.

Nosso convite é para reativar sentidos que possam nos ajudar a criar outras formas de estar no mundo, fazendo com ele um lugar comum de vidas. Nesse sentido, trazemos para este dossiê uma proposta de pensar com essa paisagem movediça em que nos encontramos com refugiados climáticos. Encorajamos, portanto, a submissão de artigos, resenhas, ensaios, produções artísticas e culturais que nos ajudem ao encontro desses desdobramentos que reativem outras possibilidades”.

Editoras | Fabíola Fonseca, Adriana Assumpção e AC Amorim

Source: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/pagina-principal/dossie-esse-lugar/